SUMÁRIO
Sinopse.................................................................................................................................
Capítulo I.............................................................................................................................
Capítulo
II............................................................................................................................
Capítulo
III..........................................................................................................................
Capítulo
IV...........................................................................................................................
Capítulo V............................................................................................................................
Capítulo
VI..........................................................................................................................
Capítulo
VII.........................................................................................................................
Nota complementar..............................................................................................................
Referências..........................................................................................................................
Livro
oitavo (“A Política” de Aristóteles)
Sinopse:
A educação dos jovens (...) – Diferença entre as artes (...) – Da literatura,
da ginástica, da música e do desenho – A utilidade (...) [e a] educação – Da
ginástica e da música
Capítulo
I
§1. (...) a educação dos jovens deve ser um
dos principais objetos de cuidado por parte do legislador; (...) os Estados que
a desprezaram prejudicaram-se (...) os costumes (...) são os mais seguros
fundamento (...); e os costumes mais puros dão sempre o melhor governo.
§2. (...) em toda espécie de arte, há
coisas que é precioso conhecer antecipadamente, e hábitos que é preciso
contrair, para estar em condição de executar os trabalhos (...) o mesmo deve
acontecer com as ações virtuosas.
Mas como existe um objetivo único para a cidade, (...) a educação também deve
ser única para todos, administrada em comum, (...) aquilo que é comum a todos
deve também ser aprendido em comum (...) [, e] não imaginar que cada cidadão se
(pág 267) pertence a si próprio, e sim que todos os cidadãos pertencem à cidade
(...) [e devem] harmonizar-se com o cuidado que cabe ao todo.
§3. (...) pode-se louvar aos (...) que
empregam o máximo de atenção na educação dos filhos (...) [e] ela deve ser
comum (...) [a todos. Porém,] não mais se entende quanto às matérias que os
jovens devem aprender para chegar à virtude e à vida perfeita (...) [,] se
convém ocupar-se da inteligência ou das qualidades morais.
§4. (...) Não se sabe a certo se deve
ensinar as artes úteis à vida, ou os preceitos de virtude, ou a ciência de pura
recreação.
Capitulo
II
§1. (...) entre as coisas úteis é
preciso que se esteja a par principalmente daquelas que são de incontestável
necessidade (...)
[evitando a exclusividade das artes mecânicas.]
chamamos mecânicas todas as artes que alteram as inclinações naturais do corpo,
e de todos os trabalhos que são mercenários; porque não deixam ao pensamento
nem liberdade, nem dignidade.
§2. Mas nada há de servil em cultivar
certas ciências liberais, pelo menos até certo ponto. Só uma aplicação
exagerada e a pretensão (...) [da] perfeição (...) podem produzir os
inconvenientes
(pág 268) (...) [.] há muita diferença conforme o fim que se tem em vista (...)
[.] quando o único objetivo é a utilidade
(...) nada há nisso de mesquinho (...) [. Porém o] trabalho que se faz para
outrem parece possuir algo de mercenário e servil. As ciências e as artes (...)
apresentam, pois, essa dupla tendência (...)
§3. Hoje a educação compreende (...): a
gramática, a ginástica e a música (...), às vezes o desenho. A gramática e o
desenho são considerados úteis à vida (...) [.] A ginástica serve formar a
coragem. Quanto à música, (...) hoje ela só é ensinada como arte de recreação,
ao passo que antigamente fazia parte da educação; pois a própria natureza (...)
[busca nos] proporcionar nobres distrações; porque (...) é a natureza que
começou tudo.
§4. Se o trabalho e o repouso são ambos
necessários, o repouso é, sem dúvida, preferível ao trabalho, e geralmente é
preciso procurar o que se deve fazer para aproveita-lo. Não se trata,
certamente, de simples prazer, porque disso se deduziria ser para nos, o
prazer, o objetivo da vida (...) é preciso, quando se recorre aos prazeres,
espreitar o momento favorável para deles fazer uso, como (...) remédio.
§5. Parece que existe no próprio
descanso uma espécie de prazer, felicidade e encanto unidos à vida, mas que se
encontram somente nos homens livres
de todo trabalho,
(...) a felicidade é o objetivo sobre o qual nos apoiamos sem cuidado, em pleno
prazer. (...) [Que este] não é o mesmo para todos [.] (pág 269) O homem
perfeito concebe a felicidade perfeita, compondo-a das virtudes puras.
§6. (...) Resta, pois, que ela [, a música,]
seja útil para as horas de descanso, o que a faz ser admitida como parte da
educação. Compreendeu-se nome aquilo que se considera como distração dos homens
livres. (...) a música é a distração mais agradável, quando os homens se
entregam ao prazer.
Capitulo
III
§1. (...) existe uma educação que deve
ser ministrada aos jovens, (...) por ser liberal e digna (pág 270) (...) os
antigos nos prestaram o seu testemunho às partes essenciais da educação; disso
nos dá a música uma prova evidente. (...) é preciso ensinar aos filhos certas
coisas úteis (...) porque proporcionam o meio de adquirir muitos outros
conhecimentos.
§2. O mesmo não podem dizer do desenho.
(...) o estudam (...) para chegar a uma concepção mais delicada da beleza dos
corpos. Aliás, em tudo só procurar o útil é o que menos convém a homens livres
que tem um espirito elevado. (...) se devem formar os hábitos nos filhos antes
de formar a sua razão, e o corpo
antes do espírito. (...)
§3. (...) nos Estados que passam por
prestar os maiores cuidados à educação das crianças, muitos se empenham em
dar-lhe uma constituição atlética, assim aviltando as formas e o
desenvolvimento do corpo. Os lacedemônios, (...) à força de acostumar os jovens
às fadigas, por ser este o meio de dar-lhes uma coragem indómita, fazem-nos
ferozes. (...) Mesmo quando a coragem militar fosse o principal objetivo, não
se pode alcança-la por esse meio; porque, nos outros animais, assim como no
homem, a coragem não aparece acompanhar os temperamentos mais ferozes, e sim os
mais dóceis.
§4. (...) sabe-se (pág 271) ainda que os
próprios lacedemônios, enquanto empregaram todo seu tempo nos trabalho de
fadigas corporais, tiveram superioridade sobre outros povos, mas hoje estão bem
atrasados (...) [.] eles não deviam sua superioridade ao seu modo de exercitar
os jovens, mas sim ao fato de se baterem contra inimigos que não se
exercitavam.
§5. É preciso, pois, colocar em primeiro
lugar a honra e não a ferocidade. (...) os animais selvagens não arrostariam um
perigo em nome da honra; só o homem de bem disso é capaz. Mas os que esforçam
demasiado a criança nesta parte da educação, e a deixam na ignorância absoluta
das coisas que é preciso saber, só fazem dos filhos péssimos (...) por quererem
torna-los uteis à sociedade (...) [.]
Capitulo
IV
§1. (...) Até a época da adolescência só
se devem empregar exercícios pouco fatigantes, proibindo às crianças uma
alimentação excessiva e todos os trabalhos pesados, a fím de que nada possa
prejudicar o seu crescimento.
§2. Mas, a partir da puberdade, os
jovens se entregarão durante três anos, a outros estudos, (...) porque não se
deve cansar o corpo e a inteligência ao mesmo tempo. (...) a fadiga do corpo é
prejudicial ao desenvolvimento do espírito, e a do espirito ao desenvolvimento do
corpo. (pág 272)
§3. (...) sobre a música (...) não é
fácil apontar a influência que ela pode ter, e se é como prazer e descanso que
se deve ser considerada (o que também se poderia dizer do sono e do uso do
vinho puro); porque essas duas (...) são agradáveis, e ao mesmo tempo acalmam
os nossos pesares. (...) faz-se mais ou menos o mesmo uso destas três coisas –
o sono, o vinho e a música, chegando-se mesmo a acrescentar-lhes a dança.
§4. Será preciso crer que a música
contribui com qualquer coisa para a virtude (...) ou então que ela contribui ao
mesmo tempo para o prazer e para o desenvolvimento do espirito? (...) não se
deve fazer da instrução uma simples distração, pois instruir-se não é
distrair-se, e o estudo vem acompanhado de algum aborrecimento.
§5. (...) aquilo que para as crianças é
um negócio importante destina-se a diverti-las quando forem homens (...)[.] E,
com efeito, é natural que aqueles que sempre se dedicam a um só trabalho,
elevando-o à altura de arte, nele melhor sucedam que os que consagram o tempo
necessário para aprende-lo.
§6. A mesma objeção surge supondo-se que
a música possa melhorar os costumes. Para que estuda-la, ao invés de (pág 273) gozar-lhe
o verdadeiro prazer e poder julgar escutando os outros? (...) Sem conhecer a
música os lacedemônios, diz-se, podem muito bem julgar das belezas e
imperfeições da harmonia.
(...)
§7. Pode-se ainda considerar (...) [que]
os poetas não nos representam Zeus cantando e tocando lira (...) [e] que a
música é uma arte servil, e que para exercê-la é preciso estar embriagado ou
querer divertir-se.
(...)
Capitulo
V
§1. O primeiro ponto é saber se ela [, a
música,] deve fazer parte da educação, ou se deve ser excluída, e se é uma
ciência, um prazer, ou um simples passatempo.
(...) ela parece reunir todas três [características]. Porque o prazer
tem por fim o descanso, (...) [que é] agradável, (...) uma espécie de remédio
contra a fadiga (...) [.] o passatempo deve reunir o honesto ao agradável;
(...) a felicidade se compõe dessas duas condições (...) [. A] música (...)
instrumental ou (...) [com] canto é uma das coisas mais agradáveis.
§2. (...) o maior prazer dos mortais é o
canto. (...) a música nos reúne e nos divertimentos (...) faz nascer a alegria.
Este motivo bastaria (...) para (...) que os jovens aprendessem a música. Porque
todo prazer que não prejudica é conveniente (...) como distração. (...) é útil
procurar um descanso nos prazeres que a música proporciona. (pág 274)
§3. (...) os prazeres de que falo não se
referem a coisa alguma que deva estar no futuro; ao contrário, refere-se às
coisas passadas, como os trabalhos e as penas. (...) é tal a coisa que faz com
que se espere encontrar a felicidade em todos os prazeres.
§4. Quanto a saber se é preciso estudar
música não só por ela própria, mas também pela sua utilidade como um modo de
distração (...) a influência que ela pode exercer no coração e na alma. E essa
influência seria incontestável se fosse verdade que a música tem poder de
modificar os nossos gostos à sua vontade.
§5. Ora, que ela produza tal fato é
claramente provado pelas árias melodiosas de muitos músicos, principalmente de
Olimpo. Essas árias (...) despertam o entusiasmo na alma, e o entusiasmo não
passa de um movimento especial da alma (...) [. É] claro que o primeiro dos
nossos estudos e dos nossos hábitos deve-se julgar serenamente, e só colocar o
prazer nas sensações honestas e nas ações virtuosas. (pág 275)
§6. Ora, nada imita melhor os
verdadeiros sentimentos da alma que o ritmo e a melodia, seja em se tratando de
cólera, da meiguice (...) [e etc.] a música desperta em nossa alma em todas
essas paixões.
§7. Os objetos que recaem sobre os
outros sentidos como o tato e o gosto, não tem analogia alguma com as afeições morais
[.] (...) Se se cogita da importância da escolha dos modelos, (...) são os quadros
de (...) Polignotos ou qualquer outro pintor ou estatutário que se aplique a
representar os costumes.
§8. (...) a música é a imitação das
afeições morais, (...) existem diferenças essenciais na natureza dos diversos
acordes. Aqueles que os ouvem se impressionam de diferentes modos a cada um dos
seus acordes: alguns destes (...) predispõem à melancolia e a sentimentos
concentrados (...) [, outros à] voluptuosidade e abandono (...) [, outros
ainda] à alma paz e repouso (...) [, e outros mais excitam] o entusiasmo. (pág
276)
§9. E o que observam (...) os que se
aprofundaram nessa arte da educação: (...) apoiam-se, em seus raciocínios (...)
[e] no próprio testemunho dos fatos (...) [. As] diversas espécies de ritmos
(...) exprimem costumes calmos, pacíficos, e outros perturbação e movimento
(...) [.] É incontestável pois, que a música exerce um poder moral
(...) [;] é também evidente que se deve a recorrer, ensinando-a aos jovens.
§10. A juventude é precisamente a idade
próspera ao estudo dessa arte; porque é natural que os jovens não suportem
aquilo que nada oferecem de agradável. (...) a música é (...) uma das coisas
que (...) trazem agrado. Parece (...) que existe na harmonia e no ritmo algo de
análogo à natureza humana (...) a alma e uma harmonia, e outros que ela encerra
a abraça a harmonia.
Capitulo
VI
§1. Será (...) preciso (...) que os
jovens aprendam a música exercitando-se aprendam a música exercitando-se no
canto e
tocando instrumentos (...). Porque é (...) impossível, ser bom juiz numa arte que
não se pratique. (...) [,] é preciso que as crianças tenham uma ocupação (...)
a matraca que se dá aos meninos a fim de que (...) nada quebrem em casa
(...) [.] A matraca é, pois, um brinquedo que convém aos pequerruchos (...) [.]
Deve-se, pois, ensinar a música aos jovens, e obriga-los a cultivá-la eles
próprios. (pág 277)
§2. (...) é preciso, para bem julgar uma
arte, a ela estar afeito, deve-se praticá-la ao menos durante a juventude,
(...) [.] E então se poderá apreciar a grandeza dessa arte e dela gozar graças
ao conhecimento que se terá adquirido na juventude.
§3. Quanto à censura, que fazem alguns à
música, de ser ocupação baixa e servil, (...) aos homens cuja ocupação tem por
fim a virtude política, quais acordes e ritmos que devem estudar, e que
instrumentos lhes convêm aprender tocar. (...) Nada impede (...) que a música
tenha certos tons próprios a produzirem os excessos mencionados.
§4. Também se compreende que é preciso
que o estudo da música em nada possa prejudicar as coisas que se tiver de fazer
em seguida, nem aviltar o corpo, (...) ou impróprio para as funções civis; ela
não deve ser a princípio um obstáculo à prática das forças do corpo, mais tarde
aos trabalhos do espirito. (...) É preciso, no entanto, nele estar exercitado,
pelo menos o suficiente para sentir prazer nos cantos e ritmos que tem beleza
real, e não somente na música comum e vulgar (...).
§5. Claramente se compreende quais são
os instrumentos dos quais se deve fazer uso. (...) apenas aqueles que farão dos
jovens ouvintes inteligentes a tudo que se refere à educação musical e aos
outros ramos dessa arte. Alias, a flauta não é adequada a operar sobre as
afeições morais. (pág 278) Só deve ser empregada quando os espetáculos tem mais
por objetivo corrigir (...) [.] o emprego da flauta tem algo de contrário à
necessidade de instrução e impossibilita o uso da palavra.
§6. (...) entregaram-se a todos os
gêneros de conhecimentos, (...) a nenhum querendo desprezar: foi isso que os levou
a elevar a arte de tocar flauta à altura de verdadeira ciência.
(...) se viu em Lacedemônia um magistrado (...) [flautista], e logo (...) em
Atenas (...) a maioria dos homens livres procurava adquirir esse talento.
§7. Mas depois renunciou-se a essa arte,
quando a própria experiência ensinou a melhor distinguir o que tende para a
virtude
(...). Aboliu-se também um grande número de instrumentos que antigamente se
usava, e todos os que exigem um prolongado exercício da mão.
§8. Não sem razão imaginaram os antigos
uma fábula a respeito da flauta. Contam que Atena, que a inventara não tardou a
pô-la de lado (...) porque este instrumento deforma a fisionomia. No entanto, é
mais verossímil que tal se desse porque o estudo da flauta em nada contribui
para o aperfeiçoamento da inteligência.
Capitulo
VII
§1. Não aprovamos, pois , em matéria de
instrumento, e de educação musical, a perfeição que vá até a arte, e que é tal
como constatamos nos concursos solenes. Aquele que a (pág279) procura não
trabalha para se aperfeiçoar em virtude, mas para o gozo dos que escutam, e por
prazer grosseiro e vulgar. É
por isso que tal talento não nos parece convir a homens livres, mas antes a
mercenários (...); porque a intenção é má, e delas eles fazem um objetivo. O
espectador ignorante (...) [transforma] a música a tal ponto que [lhe] atribui
(...) um caráter particular (...) [, deformando] seus corpos (...) [pelo] jogo
(...) [que os] instrumentos exige[m].
§2. Trata-se agora de examinar, em
matéria de harmonia e ritmos, se todos as harmonias e ritmos devem ser usadas
na educação, ou se existe alguma distinção a estabelecer. (...) para os que
trabalham na arte musical, a divisão em dois gêneros, (...) [ou três. A]
música, (...) se compõem de melopéias e ritmos; mas não se deve ignorar o efeito
de cada uma dessas (...) à educação.
§3. (...) reconhecemos já ter sido o
assunto tratado (...) por sábios músicos de profissão, e filósofos possuidores
de um conhecimento (...) de música, (...) consultem suas obras aqueles que
queiram detalhes exatos e completos (...)
§4. (...) aceitando a divisão dos cantos
adotados por alguns filósofos, (...) diremos que o uso da música não se limita
a um só gênero de utilidade, e que, antes, ela deve ter vários. (...) ela pode
servir à instrução, à purificação, (...);
ao prazer, (...) distração e repouso após uma atenção prolongada.
Disso resulta claramente que se deve fazer uso de todas as espécies de
harmonias, mas não de um só modo em todos os casos. (...)
é preciso fazer servir os cantos morais à instrução (...) (pág 280) os que são
próprios a despertar o entusiasmo (...)
§5. Esta maneira de impressionar-se, tão
viva e profunda em certas pessoas, existe no fundo de todos os homens, só
difere pelo mais ou pelo menos. Por exemplo, a piedade, o medo e também o
entusiasmo (...) movimentos da alma (...) [. Existem] os que se tornam calmos e
absortos sob a influência das melodias sagradas, (...) dir-se-ia que encontram
o remédio que poderia purifica-la.
§6. Os homens predispostos (...) devem
forçosamente experimentar o mesmo efeito (...) todos devem experimentar uma
espécie de purificação e alivio acompanhada de uma sensação de prazer. É assim
que os cantos que purificam as paixões dão aos homens uma alegria ingênua e
pura (...), é com tais harmonias e canos que os artistas que executam a música
(...) devem agir sobre a alma dos ouvintes.
§7. No entanto, havendo duas espécies de
espectadores, uns homens livres e bem educados, outros grosseiros, artesãos,
mercenários (...) ,
é preciso também conceder esses últimos diversão e representações próprias (...).
Cada qual só encontra prazer naquilo que se adapta à sua natureza. (...) Mas na
educação, como já foi dito, só se deve servir de cantos morais e harmonias
convenientes.
§8. (...) a harmonia dórica, (...) a ela
é preciso acrescentar (...) outra (...) que tenha aprovação dos filósofos que
trataram deste assunto e quer meditaram sobre a parte da educação que se refere
á música. É erradamente que Sócrates (...) só permite a união da harmonia
frígia à dórica,
(pág 281) após proibir o uso da flauta; porque a harmonia frígia produz o mesmo
efeito, entre as harmonias que a flauta entre os instrumentos; ambas despertam
paixões e (...) entusiasmos.
§9. (...) todos os cantos consagrados a
Baco e todos os movimentos desta espécie são mais acompanhados de flauta que
qualquer outro instrumento; mas é nos cantos adaptados à harmonia frígia que
eles tomam o característico que lhes convém especialmente; (...) Filoxênio
(...) tendo-o começado [a compor uma música] no tom dórico, (...) viu-se
forçado pela própria natureza da sua composição, a recair na harmonia frígia,
que se adapta a esse gênero de poesia.
§10. Quanto à harmonia dórica, concorda-se
(...) em reconhecer-lhe um caráter de gravidade sustenida e de energia varonil;
(...) como é, em nossa opinião, esse
meio termo que se deve procurar segurar, (...) exatamente a relação em que se
encontra a harmonia dórica com outras harmonias, segue-se evidentemente que os
cantos dóricos são os que se deve ensinar aos jovens. (...) há dois dois
objetivos que se deve ter em vista (...) porque, com efeito, deve-se procurar
de preferência aquilo que é possível e convenientemente para cada indivíduo.
§11. (...) muitos daqueles que se ocupam
da música censuram a Sócrates o fato deste desaprova, na educação o emprego dos
cantos desta espécie sob o pretexto de (pág 282) que eles têm o característico
da embriaguez. (...) esses cantos são antes a expressão da fraqueza da idade.
Resulta disso que é bom (...) estudar essas harmonias e cantos. (...) [e] acrescentar-lhe
qualquer outro tom semelhante que conviesse à infância (...) podendo (...)
instruí-la e inspirar-lhe o sentimento de decência; o tom lídio tem esse duplo
mérito,
(...) há três coisas a observar em relação à educação: o meio termo, a possibilidade
e a conveniência. (pág 283)
Nota
complementar:
1) A edição da Martim Claret, e as três digitais
ofertadas pelo maestro e pelos meus professores da graduação para a minha
pesquisa e a que busquei de forma autônoma tiveram o mesmo problema e,
portanto, não foram utilizadas neste trabalho, foi utilizada uma quinta.
Procurei
auxílio do professor da minha graduação em filosofia que, além de me enviar um
link com o livro em formato digital me forneceu a seguinte resposta:
“Olá
Maurício está parte que Aristóteles fala sobre Educação:
O Papel da Música.
“Há
mais ou menos quatro coisas que de ordinário se ensinam às crianças: 1°- as
letras; 2°- a ginástica; 3°- a música; alguns acrescentam em 4° a pintura; a
escrita e a pintura para as diversas circunstâncias da vida; a ginástica por
servir para educar a coragem. Quanto à música, sua utilidade não é igualmente
reconhecida. Muitos hoje a aprendem apenas por prazer. Mas os antigos fizeram
dela, desde os primeiros tempos, uma parte da educação, pois a natureza, como
já dissemos várias vezes, não procura apenas dar exatidão às ações, mas também
dignidade ao repouso. A música é o princípio de todos os encantos da vida.
[...].””
Este
trecho acima, pela analise do conteúdo, da mensagem, se encontra no capítulo 2,
§3.
Nas
notas de rodapé podem ser encontradas complementos oriundos do próprio texto e também
comentários pessoais.
Referências
ARISTÓTELES. A Política. Bauru, SP: EDIPRO, 2009