domingo, 15 de fevereiro de 2026

Estudos 1

 Deste logos sendo sempre os homens se tornam descompassados quer

antes de ouvir quer tão logo tenham ouvido; pois, tornando-se todas (as coisas)

segundo esse logos, a inexperientes se assemelham embora experimentando-se em

palavras e ações tais quais eu discorro segundo (a) natureza distinguindo cada

(coisa) e explicando como se comporta. Aos outros homens escapa quanto fazem

despertos, tal como esquecem quanto fazem dormindo. (HERÁCLITO)

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Pontos Sobre a ODS 3

 


1 – A ODS nº 3, em particular a 3.1 tem como objetivo reduzir para menos de 70/100.000 a taxa de mortalidade em gestantes dos nascidos vivos, até 2030. No Brasil já estamos em 62/100.000, por isto nossa meta é um numero menor de mortes, segundo o IPEA (2019)

2 – Segundo o site da ONU News (2022), e o Centro Regional de Informações para a Europa Ocidental das Nações Unidas, “Todos os países da Europa já atingiram o ODS sobre mortalidade materna. A taxa média no continente (...) [está] bem abaixo dos 70 por 100 mil (...). Outro ODS alcançado (...) [é o da] mortalidade neonatal: (...) Entre (...) 2010 e 2018, as mortes prematuras (...) caíram quase 20%.”

3 – Na América Latina a “Venezuela foi o primeiro país (...) a adotar (...) a expressão “violência obstétrica”, como fruto de reivindicações” feministas. (Sena e Tesser, 2016)

Segundo Lima, Pimentel, Lyra (2021) “quando se analisa tais dados [obstétricos] a partir do marcador raça, (...) os riscos para as mulheres negras são (...) maiores.” A “menor renda (...) relatada [na pesquisa] foi de R$ 800,00, e a maior, R$ 3,700,00. Todas as participantes tiveram assistência pré-natal e ao parto no SUS, apenas uma participante tinha plano (...) de saúde”.

4 a – Segundo as páginas Portal Terê e Doity aconteceram duas palestras sobre a violência obstétrica na UNIFESO (Universidade de Teresópolis RJ), em 24 de Agosto de 2017 e 15 de Maio de 2019.

4 b – A formação do curso de filosofia em sua busca por uma visão mais alargada sobre qualquer assunto apresentando diversas perspectivas e interpretações, antagônicas inclusive.[1] Ele se relaciona ao tema em função destas características. Exemplos abaixo:

Quando se condena determinadas práticas obstétricas, é preciso ter em mente que para estes profissionais salvar vidas é mais importante que qualquer outra questão, mesmo que para mantê-la seja preciso o trauma.

A invasão de Humanas e Sociais na área medica[2] não deve atrapalhar estes ofícios em suas rotinas, pois podem elevar o número de mortes. no combate a violência obstétrica pode-se criar entraves mentais[3] nos profissionais de tal modo que estes venham a perder minutos preciosos que salvariam a mãe e o recém-nascido em uma emergência.[4]

A violência e o abuso de poder de alguns em função das circunstâncias são fatos.[5] Mas infelizmente, algumas coisas só podem ser conseguidas com o uso da violência, como por exemplo, a extração de um dente siso ou alguns tratamentos ortopédicos.[6]

A obstetrícia em sua biomecânica (Melatti, 2014 e Mann, Kleinpaul, Mota, Santos, 2010) gestacional e de forma naturalmente mais violenta no momento do “parto normal e domiciliar auxiliados por parteiras.” (Cristaldo, 2020), em função das contrações e da dilatação pélvica, possui algum ponto de contato com a ortopedia.

É preciso lembrar também das condições precárias de trabalho de muitos profissionais da saúde, da pressão e do stress a que estão submetidos em função da caótica dialética Demanda X Precariedade. Defendemos aqui os Profissionais da Saúde que vivem “O Juramento de Hipócrates” (Sandoval, 2019) e não aos que hipocritamente juraram à ética hipocrática.

A subserviência dos países a órgãos internacionais como a ONU poderia conduzir à perda da autonomia dos Estados destruindo assim a cultura de cada povo, as pluralidades e diferenças étnicas, fabricando uma massa humana industrializada em prol de órgãos estrangeiros, que muitas vezes não conhecem a realidade local.

Entendemos que os problemas sociais sejam os frutos/sintomas dos problemas éticos e morais e que para cuidar do fruto doente é preciso tratar a raiz, respeitando as diferenças de cada planta, gostando destas diferenças, destes perfumes ou não.

A busca pela extinção da dor na gestação e em outras áreas poderia resultar na “mega plantação” (Armani, Gianeti, 2020) de seres humanos, como no filme Matrix nos fazendo gradativamente deixar de ser pessoas, nos tornando produtos, nos “coisificando”, pela promessa do utópico paraíso materialista ao abandonar o pouco de natural que ainda temos?

 

Pesquisa/referências:

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-01/parteiras-renascem-com-mais-seguranca-e-tecnicas-tradicionais

https://doity.com.br/palestra-adpf347-do-stf

https://institutocultiva.com.br/matrix-como-metafora-para-a-sociologia/

https://news.un.org/pt/story/2022/03/1782632

http://portaltere.blogspot.com/2017/08/ciclo-de-debates-discute-violencia.html?m=0

https://scielosp.org/pdf/icse/v21n60/1807-5762-icse-1807-576220150896.pdf

https://unric.org/pt/?s=ods+por+pa%C3%ADs

https://www.as.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/livreto_violencia_obstetrica-2-1.pdf

https://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Historia&esc=3

https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/797-posicionamento-oficial-do-ministerio-da-saude-sobre-o-termo-violencia-obstetrica

https://www.fmrp.usp.br/pb/arquivos/3652

https://www.iesp.edu.br/sistema/uploads/arquivos/publicacoes/violencia-obstetrica-na-otica-do-ministerio-da-saude-estudo-reflexivo.pdf

https://www.infoescola.com/biologia/biomecanica/

https://www.ipea.gov.br/ods/ods3.html

https://www.scielo.br/j/csc/a/wbq3FxQH7HmVMySp7Y9dntq/?format=pdf&lang=pt

https://www.scielo.br/j/motriz/a/V4DbJt6QcVqjRmVzZVkyLNy/?format=pdf&lang=pt



[1] Para um fazer filosófico abrangente.

[2] Bem como em qualquer outra carreira.

[3] Se o objetivo oculto for o controle populacional colocando a responsabilidade pelas mortes em terceiros é perfeito.

[4] Esta questão em particular me faz lembrar a critica de Platão aos poetas que falavam sobre um ofício que não conheciam e os perigos deste comportamento para a sociedade.

[5] Não por acaso defendo que algumas carreiras precisam de testes de saúde mental constantes para a manutenção da permissão e cargo de trabalho, e caso não passem nos testes, terem suas licenças e cargos retirados sumariamente. Fora o fato que alguns profissionais e profissões praticamente se portam como se fossem deuses.

[6] Em sua totalidade, como nas cirurgias.


sábado, 21 de maio de 2022

A DIALÉTICA SIMBÓLICA - FICHAMENTO DO CAPITULO 2


 


SUMÁRIO

 

 

Fichamento do capitulo 2 de “A Dialética Simbólica”, referente as páginas 37 a 42 do livro base..........................................................................................................................03

Nota complementar..........................................................................................................06

Referências......................................................................................................................07

 

 

 

 

Emoção e reflexão 

E

motion recollected in tranquillity[1] (...) da arte em geral (...) é enunciado de um requisito básico para seu exercício. (...) [,] de psicologia da arte.

Mas a palavra “arte”, no caso, deve ser entendida em sentido mais amplo (...)

Deve abarcar, de certo modo, o orbe inteiro das criações intelectuais (...) [pois] estas nem podem emergir nada sem que alguma experiência[2] espiritualmente emocional dê impulso inicial à criatividade (...), nem pode encontrar as condições de sua plena manifestação formal sem o recuo posterior que rememore essa experiência e a elabore na tranquilidade da reflexão.

 

“Reflexão”, aí, (...) designa o simples retorno interior, consciente e deliberado à experiência, seja para reproduzi-la (...), seja para completa-la ou altera-la. O que distingue o momento reflexivo da experiência interior direta é o propósito consciente de fixa-la, seja [da forma que for] (...), esse intuito vai precisamente em sentido contrário ao fluxo vivo da experiência[3] ; é um retorno espiritual e intencional àquilo que, real e materialmente, não retorna jamais. (pág 37)

Por essa razão, sempre me pareceu tolice e mera pose a pretensão dos artistas que afirmam captar a experiência viva e se julgam por isto mais sábios, quase como profetas ou anjos, em comparação com os filósofos ou cientistas (...). Pois a “experiência viva” se não vem em forma de (...) [criação intelectual humana (pág 37)], mas nela convertida (...) [pelo] artifício do artista, que ao fazê-lo se distância tanto dela, indo em direção ao espirito, quanto o faz o filósofo ou cientista, que dele se distancia apenas (...) [pela] formalização que empregam.

 

(...) não me referi à experiência direta e bruta, e sim a uma experiência já espiritualizada e valorizada. (...) na alma excelsa a experiência, por menor que seja, indica sempre algo que vai muito além da experiência, o particular é signo do universal e a experiência, (...) já traz em plano de fundo o elemento de recuo contemplativo que a enaltece (...) com uma significação que transcende (...)

(...) o homem profundo e sensível (...) obtém colheitas mais ricas em repercussões interiores (...) simplesmente porque já é de antemão quem é (...) (pág 38) [4]

(...) o verdadeiro poeta e o verdadeiro filósofo (...) percebem com reais e imediatas certas relações mais sutis (...).

Mas mesmo esta experiência espiritualmente diferenciada (...). Tem de ser transposta mediante um trabalho posterior de rememoração, seleção, ordenação e etc. (...) daí o termo “obra de arte”, que quer dizer: fruto do trabalho humano, jamais um dom gratuito da natureza.      

Não existe, ademais, a menor diferença específica entre a experiência espiritual (...) [de quem produz a “criação intelectual humana” (pág 37)] quando o é verdadeiramente. (...) A diferença está nos vários códigos [5] que servem, depois, como que de guias (...) para a elaboração refletida.[6] (...). (pág 39)

Dessas exigências, (...)[7] Pouco importa: o fato é que na hora de transformar sua experiência pessoal em forma comunicável, o sujeito criador tem de levá-las em conta.

(...) [A] experiência interior a que me refiro é aquela mencionada por Aristóteles. “Aqueles que passam por uma iniciação (...) estão ali para (...) sofrer uma experiência interior e ser postos em uma certa disposição...”. [8]

É evidente que esta experiência interior (...) está precisamente, a meio caminho da experiência crua e da forma conscientemente criada. É a precondição indispensável de toda “criação intelectual humana” (pág 37) (...), sendo anterior e indiferente a estas diferenciações de nomes de disciplinas.

É por isso mesmo que, no julgamento das criações da inteligência, se pode levar em conta (...) a elaboração (...) [,] a amplitude, a coerência e a qualidade da experiência interior que lhe serve de base. Esta experiência é o que constitui o “mundo” [de todo aquele que produz a “criação intelectual humana” (pág 37)] (...), mundo que, (...) independentemente do esforço reflexivo posterior (...), pode ser mais rico (...), mais integro (...), mais profundo e abrangente, ou menos. Se existe um sentido na (pág 40) distinção entre “conteúdo” e “forma”, é quando toma como sinônimo de “conteúdo” a forma da experiência espiritual como tal, anterior (...) [a] forma concreta da “obra” (...) o julgamento qualitativo da experiência espiritual transcende e abole as diferenças entre as disciplinas formais (...)

Não é necessário, aqui, tomar a palavra “iniciação” no sentido estrito e convencional de pertinência a uma confraria de mistérios e de submissão a ritos tradicionais oficiados por hierofantes de carne e osso. O espirito sopra onde quer, e, (...) quanto mais corrompidas e esgotadas estejam as igrejas e as ordens secretas, mais se multiplicarão os casos de comunicação direta entre o Sentido e a alma. [9]

Que uma experiência espiritual possa ser bastante semelhante a uma outra; (...) os universos interiores de dois homens de ofícios intelectuais diversos podem ser bem mais aparentados entre si do que os de dois homens do mesmo ofício. (...) [se torna claro quando se observa]

As afinidades de “conteúdo”, no sentido da comunidade de experiência espiritual, [que] transcende não somente as diferenças de (pág 41) disciplina a disciplina, de gênero a gênero, porém, até mesmo a diversidade de ideias e convicções pessoais (...) [, pois] não existe vinculo de implicação reciproca entre a natureza da experiência espiritual e a modalidade ou gênero, de sua expressão concreta nas formas das disciplinas culturais reconhecidas.           

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nota complementar:

1) Este texto é uma aula de 2 de julho de 1996 do seminário de filosofia, segundo nota de rodapé na página 37 do livro base.

2) Nas notas de rodapé podem ser encontradas complementos oriundos do próprio texto e também comentários pessoais.

3) A revisão final teve como trilha sonora o link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=NyAIxYWIvx4 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências

CARVALHO, Olavo de. A Dialética Simbólica. 2. Ed. Campinas, SP: Vide Editorial, 2015



[1] Emocional recordado em tranqüilidade. A tradução do Maestro Dante na aula foi “Emoção recolhida na tranqüilidade”.  

[2] Segundo o Maestro Dante Mantovani na aula 2 do curso de filosofia da arte e de estética musical do Seminário de Música, no ano de 2022, Um dos núcleos principais da filosofia do professor Olavo de Carvalho é o primado da experiência como fonte primordial do conhecimento.

[3] Experiência da forma como vista no texto base.

[4] Na página 38 existe um trecho, uma citação em francês que é a seguinte:

“Mon cœur profond ressemble à ces voûte d’église, où le moindre bruit s’enfle em une immense voix”.  Eu, com francês nível -10 com tradutor de internet  traduzi da seguinte forma:

Meu profundo coração se assemelha a essas abóbodas de igrejas, onde o menor ruído se transforma em uma imensa voz.

Na aula o maestro Dante traduziu da seguinte forma:

Meu coração ressoa profundamente com vossas aspirações e o meu reflexo bruto se infla na sua imensa voz.

[5] Os códigos seriam como ferramentas diferentes em busca de alcançar o mesmo objetivo.

[6] Tendo sido refletida, está na memória nos conduzindo, portanto, de volta ao início do texto base. 

[7] Do ofício ou senso comum, que são apenas ferramentas.

[8] Frag. 153 (Synesius, Dio 48 A). Conforme nos mostra o texto base na página 40.

[9] Poderíamos, quem sabe, colocar aqui o termo “instituições” ampliando  a abrangência da frase.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

A POLÍTICA DE ARISTÓTELES - FICHAMENTO DO CAPITULO 8




 SUMÁRIO

 

 

Sinopse.................................................................................................................................

Capítulo I.............................................................................................................................

Capítulo II............................................................................................................................

Capítulo III..........................................................................................................................

Capítulo IV...........................................................................................................................

Capítulo V............................................................................................................................

Capítulo VI..........................................................................................................................

Capítulo VII.........................................................................................................................

Nota complementar..............................................................................................................

Referências..........................................................................................................................

 

 

 Livro oitavo (“A Política” de Aristóteles)

Sinopse: A educação dos jovens (...) – Diferença entre as artes (...) – Da literatura, da ginástica, da música e do desenho – A utilidade (...) [e a] educação – Da ginástica e da música

 

Capítulo I

 §1. (...) a educação dos jovens deve ser um dos principais objetos de cuidado por parte do legislador; (...) os Estados que a desprezaram prejudicaram-se (...) os costumes (...) são os mais seguros fundamento (...); e os costumes mais puros dão sempre o melhor governo.

§2. (...) em toda espécie de arte, há coisas que é precioso conhecer antecipadamente, e hábitos que é preciso contrair, para estar em condição de executar os trabalhos (...) o mesmo deve acontecer com as ações virtuosas.[1] Mas como existe um objetivo único para a cidade, (...) a educação também deve ser única para todos, administrada em comum, (...) aquilo que é comum a todos deve também ser aprendido em comum (...) [, e] não imaginar que cada cidadão se (pág 267) pertence a si próprio, e sim que todos os cidadãos pertencem à cidade (...) [e devem] harmonizar-se com o cuidado que cabe ao todo. [2]

§3. (...) pode-se louvar aos (...) que empregam o máximo de atenção na educação dos filhos (...) [e] ela deve ser comum (...) [a todos. Porém,] não mais se entende quanto às matérias que os jovens devem aprender para chegar à virtude e à vida perfeita (...) [,] se convém ocupar-se da inteligência ou das qualidades morais. [3]

§4. (...) Não se sabe a certo se deve ensinar as artes úteis à vida, ou os preceitos de virtude, ou a ciência de pura recreação. [4]

 

Capitulo II

§1. (...) entre as coisas úteis é preciso que se esteja a par principalmente daquelas que são de incontestável necessidade (...)[5] [evitando a exclusividade das artes mecânicas.][6] chamamos mecânicas todas as artes que alteram as inclinações naturais do corpo, e de todos os trabalhos que são mercenários; porque não deixam ao pensamento nem liberdade, nem dignidade.[7]

§2. Mas nada há de servil em cultivar certas ciências liberais, pelo menos até certo ponto. Só uma aplicação exagerada e a pretensão (...) [da] perfeição (...) podem produzir os inconvenientes [8] (pág 268) (...) [.] há muita diferença conforme o fim que se tem em vista (...) [.] quando o único objetivo é a utilidade[9] (...) nada há nisso de mesquinho (...) [. Porém o] trabalho que se faz para outrem parece possuir algo de mercenário e servil. As ciências e as artes (...) apresentam, pois, essa dupla tendência (...) [10]

§3. Hoje a educação compreende (...): a gramática, a ginástica e a música (...), às vezes o desenho. A gramática e o desenho são considerados úteis à vida (...) [.] A ginástica serve formar a coragem. Quanto à música, (...) hoje ela só é ensinada como arte de recreação, ao passo que antigamente fazia parte da educação; pois a própria natureza (...) [busca nos] proporcionar nobres distrações; porque (...) é a natureza que começou tudo. [11]

§4. Se o trabalho e o repouso são ambos necessários, o repouso é, sem dúvida, preferível ao trabalho, e geralmente é preciso procurar o que se deve fazer para aproveita-lo. Não se trata, certamente, de simples prazer, porque disso se deduziria ser para nos, o prazer, o objetivo da vida (...) é preciso, quando se recorre aos prazeres, espreitar o momento favorável para deles fazer uso, como (...) remédio.[12]

§5. Parece que existe no próprio descanso uma espécie de prazer, felicidade e encanto unidos à vida, mas que se encontram somente nos homens livres[13] de todo trabalho[14], (...) a felicidade é o objetivo sobre o qual nos apoiamos sem cuidado, em pleno prazer. (...) [Que este] não é o mesmo para todos [.] (pág 269) O homem perfeito concebe a felicidade perfeita, compondo-a das virtudes puras.

 §6. (...) Resta, pois, que ela [, a música,] seja útil para as horas de descanso, o que a faz ser admitida como parte da educação. Compreendeu-se nome aquilo que se considera como distração dos homens livres. (...) a música é a distração mais agradável, quando os homens se entregam ao prazer.

 

Capitulo III

§1. (...) existe uma educação que deve ser ministrada aos jovens, (...) por ser liberal e digna (pág 270) (...) os antigos nos prestaram o seu testemunho às partes essenciais da educação; disso nos dá a música uma prova evidente. (...) é preciso ensinar aos filhos certas coisas úteis (...) porque proporcionam o meio de adquirir muitos outros conhecimentos.

§2. O mesmo não podem dizer do desenho. (...) o estudam (...) para chegar a uma concepção mais delicada da beleza dos corpos. Aliás, em tudo só procurar o útil é o que menos convém a homens livres que tem um espirito elevado. (...) se devem formar os hábitos nos filhos antes de formar a sua razão, e o corpo[15] antes do espírito. (...)

§3. (...) nos Estados que passam por prestar os maiores cuidados à educação das crianças, muitos se empenham em dar-lhe uma constituição atlética, assim aviltando as formas e o desenvolvimento do corpo. Os lacedemônios, (...) à força de acostumar os jovens às fadigas, por ser este o meio de dar-lhes uma coragem indómita, fazem-nos ferozes. (...) Mesmo quando a coragem militar fosse o principal objetivo, não se pode alcança-la por esse meio; porque, nos outros animais, assim como no homem, a coragem não aparece acompanhar os temperamentos mais ferozes, e sim os mais dóceis.[16]

§4. (...) sabe-se (pág 271) ainda que os próprios lacedemônios, enquanto empregaram todo seu tempo nos trabalho de fadigas corporais, tiveram superioridade sobre outros povos, mas hoje estão bem atrasados (...) [.] eles não deviam sua superioridade ao seu modo de exercitar os jovens, mas sim ao fato de se baterem contra inimigos que não se exercitavam.

§5. É preciso, pois, colocar em primeiro lugar a honra e não a ferocidade. (...) os animais selvagens não arrostariam[17] um perigo em nome da honra; só o homem de bem disso é capaz. Mas os que esforçam demasiado a criança nesta parte da educação, e a deixam na ignorância absoluta das coisas que é preciso saber, só fazem dos filhos péssimos (...) por quererem torna-los uteis à sociedade (...) [.]

 

Capitulo IV

§1. (...) Até a época da adolescência só se devem empregar exercícios pouco fatigantes, proibindo às crianças uma alimentação excessiva e todos os trabalhos pesados, a fím de que nada possa prejudicar o seu crescimento. [18]

§2. Mas, a partir da puberdade, os jovens se entregarão durante três anos, a outros estudos, (...) porque não se deve cansar o corpo e a inteligência ao mesmo tempo. (...) a fadiga do corpo é prejudicial ao desenvolvimento do espírito, e a do espirito ao desenvolvimento do corpo. (pág 272)  

§3. (...) sobre a música (...) não é fácil apontar a influência que ela pode ter, e se é como prazer e descanso que se deve ser considerada (o que também se poderia dizer do sono e do uso do vinho puro); porque essas duas (...) são agradáveis, e ao mesmo tempo acalmam os nossos pesares. (...) faz-se mais ou menos o mesmo uso destas três coisas – o sono, o vinho e a música, chegando-se mesmo a acrescentar-lhes a dança.

§4. Será preciso crer que a música contribui com qualquer coisa para a virtude (...) ou então que ela contribui ao mesmo tempo para o prazer e para o desenvolvimento do espirito? (...) não se deve fazer da instrução uma simples distração, pois instruir-se não é distrair-se, e o estudo vem acompanhado de algum aborrecimento.

§5. (...) aquilo que para as crianças é um negócio importante destina-se a diverti-las quando forem homens (...)[.] E, com efeito, é natural que aqueles que sempre se dedicam a um só trabalho, elevando-o à altura de arte, nele melhor sucedam que os que consagram o tempo necessário para aprende-lo.

§6. A mesma objeção surge supondo-se que a música possa melhorar os costumes. Para que estuda-la, ao invés de (pág 273) gozar-lhe o verdadeiro prazer e poder julgar escutando os outros? (...) Sem conhecer a música os lacedemônios, diz-se, podem muito bem julgar das belezas e imperfeições da harmonia.[19] (...)

§7. Pode-se ainda considerar (...) [que] os poetas não nos representam Zeus cantando e tocando lira (...) [e] que a música é uma arte servil, e que para exercê-la é preciso estar embriagado ou querer divertir-se.[20] (...)    

 

Capitulo V

§1. O primeiro ponto é saber se ela [, a música,] deve fazer parte da educação, ou se deve ser excluída, e se é uma ciência, um prazer, ou um simples passatempo.  (...) ela parece reunir todas três [características]. Porque o prazer tem por fim o descanso, (...) [que é] agradável, (...) uma espécie de remédio contra a fadiga (...) [.] o passatempo deve reunir o honesto ao agradável; (...) a felicidade se compõe dessas duas condições (...) [. A] música (...) instrumental ou (...) [com] canto é uma das coisas mais agradáveis.

§2. (...) o maior prazer dos mortais é o canto. (...) a música nos reúne e nos divertimentos (...) faz nascer a alegria. Este motivo bastaria (...) para (...) que os jovens aprendessem a música. Porque todo prazer que não prejudica é conveniente (...) como distração. (...) é útil procurar um descanso nos prazeres que a música proporciona. (pág 274)

§3. (...) os prazeres de que falo não se referem a coisa alguma que deva estar no futuro; ao contrário, refere-se às coisas passadas, como os trabalhos e as penas. (...) é tal a coisa que faz com que se espere encontrar a felicidade em todos os prazeres.

§4. Quanto a saber se é preciso estudar música não só por ela própria, mas também pela sua utilidade como um modo de distração (...) a influência que ela pode exercer no coração e na alma. E essa influência seria incontestável se fosse verdade que a música tem poder de modificar os nossos gostos à sua vontade.

§5. Ora, que ela produza tal fato é claramente provado pelas árias melodiosas de muitos músicos, principalmente de Olimpo. Essas árias (...) despertam o entusiasmo na alma, e o entusiasmo não passa de um movimento especial da alma (...) [. É] claro que o primeiro dos nossos estudos e dos nossos hábitos deve-se julgar serenamente, e só colocar o prazer nas sensações honestas e nas ações virtuosas. (pág 275)

§6. Ora, nada imita melhor os verdadeiros sentimentos da alma que o ritmo e a melodia, seja em se tratando de cólera, da meiguice (...) [e etc.] a música desperta em nossa alma em todas essas paixões.

§7. Os objetos que recaem sobre os outros sentidos como o tato e o gosto, não tem analogia alguma com as afeições morais [.] (...) Se se cogita da importância da escolha dos modelos, (...) são os quadros de (...) Polignotos ou qualquer outro pintor ou estatutário que se aplique a representar os costumes.

§8. (...) a música é a imitação das afeições morais, (...) existem diferenças essenciais na natureza dos diversos acordes. Aqueles que os ouvem se impressionam de diferentes modos a cada um dos seus acordes: alguns destes (...) predispõem à melancolia e a sentimentos concentrados (...) [, outros à] voluptuosidade e abandono (...) [, outros ainda] à alma paz e repouso (...) [, e outros mais excitam] o entusiasmo. (pág 276)

§9. E o que observam (...) os que se aprofundaram nessa arte da educação: (...) apoiam-se, em seus raciocínios (...) [e] no próprio testemunho dos fatos (...) [. As] diversas espécies de ritmos (...) exprimem costumes calmos, pacíficos, e outros perturbação e movimento (...) [.] É incontestável pois, que a música exerce um poder moral[21] (...) [;] é também evidente que se deve a recorrer, ensinando-a aos jovens.

§10. A juventude é precisamente a idade próspera ao estudo dessa arte; porque é natural que os jovens não suportem aquilo que nada oferecem de agradável. (...) a música é (...) uma das coisas que (...) trazem agrado. Parece (...) que existe na harmonia e no ritmo algo de análogo à natureza humana (...) a alma e uma harmonia, e outros que ela encerra a abraça a harmonia.

 

Capitulo VI

§1. Será (...) preciso (...) que os jovens aprendam a música exercitando-se aprendam a música exercitando-se no canto [22] e tocando instrumentos (...). Porque é (...) impossível, ser bom juiz numa arte que não se pratique. (...) [,] é preciso que as crianças tenham uma ocupação (...) a matraca que se dá aos meninos a fim de que (...) nada quebrem em casa [23] (...) [.] A matraca é, pois, um brinquedo que convém aos pequerruchos (...) [.] Deve-se, pois, ensinar a música aos jovens, e obriga-los a cultivá-la eles próprios. (pág 277)

§2. (...) é preciso, para bem julgar uma arte, a ela estar afeito, deve-se praticá-la ao menos durante a juventude, (...) [.] E então se poderá apreciar a grandeza dessa arte e dela gozar graças ao conhecimento que se terá adquirido na juventude.

§3. Quanto à censura, que fazem alguns à música, de ser ocupação baixa e servil, (...) aos homens cuja ocupação tem por fim a virtude política, quais acordes e ritmos que devem estudar, e que instrumentos lhes convêm aprender tocar. (...) Nada impede (...) que a música tenha certos tons próprios a produzirem os excessos mencionados. [24]

§4. Também se compreende que é preciso que o estudo da música em nada possa prejudicar as coisas que se tiver de fazer em seguida, nem aviltar o corpo, (...) ou impróprio para as funções civis; ela não deve ser a princípio um obstáculo à prática das forças do corpo, mais tarde aos trabalhos do espirito. (...) É preciso, no entanto, nele estar exercitado, pelo menos o suficiente para sentir prazer nos cantos e ritmos que tem beleza real, e não somente na música comum e vulgar (...).

§5. Claramente se compreende quais são os instrumentos dos quais se deve fazer uso. (...) apenas aqueles que farão dos jovens ouvintes inteligentes a tudo que se refere à educação musical e aos outros ramos dessa arte. Alias, a flauta não é adequada a operar sobre as afeições morais. (pág 278) Só deve ser empregada quando os espetáculos tem mais por objetivo corrigir (...) [.] o emprego da flauta tem algo de contrário à necessidade de instrução e impossibilita o uso da palavra. [25]

§6. (...) entregaram-se a todos os gêneros de conhecimentos, (...) a nenhum querendo desprezar: foi isso que os levou a elevar a arte de tocar flauta à altura de verdadeira ciência.[26] (...) se viu em Lacedemônia um magistrado (...) [flautista], e logo (...) em Atenas (...) a maioria dos homens livres procurava adquirir esse talento.

§7. Mas depois renunciou-se a essa arte, quando a própria experiência ensinou a melhor distinguir o que tende para a virtude [27] (...). Aboliu-se também um grande número de instrumentos que antigamente se usava, e todos os que exigem um prolongado exercício da mão. [28]

§8. Não sem razão imaginaram os antigos uma fábula a respeito da flauta. Contam que Atena, que a inventara não tardou a pô-la de lado (...) porque este instrumento deforma a fisionomia. No entanto, é mais verossímil que tal se desse porque o estudo da flauta em nada contribui para o aperfeiçoamento da inteligência.[29]

 

Capitulo VII

§1. Não aprovamos, pois , em matéria de instrumento, e de educação musical, a perfeição que vá até a arte, e que é tal como constatamos nos concursos solenes. Aquele que a (pág279) procura não trabalha para se aperfeiçoar em virtude, mas para o gozo dos que escutam, e por prazer grosseiro e vulgar. [30] É por isso que tal talento não nos parece convir a homens livres, mas antes a mercenários (...); porque a intenção é má, e delas eles fazem um objetivo. [31] O espectador ignorante (...) [transforma] a música a tal ponto que [lhe] atribui (...) um caráter particular (...) [, deformando] seus corpos (...) [pelo] jogo (...) [que os] instrumentos exige[m]. [32]

§2. Trata-se agora de examinar, em matéria de harmonia e ritmos, se todos as harmonias e ritmos devem ser usadas na educação, ou se existe alguma distinção a estabelecer. (...) para os que trabalham na arte musical, a divisão em dois gêneros, (...) [ou três. A] música, (...) se compõem de melopéias e ritmos; mas não se deve ignorar o efeito de cada uma dessas (...) à educação.

§3. (...) reconhecemos já ter sido o assunto tratado (...) por sábios músicos de profissão, e filósofos possuidores de um conhecimento (...) de música, (...) consultem suas obras aqueles que queiram detalhes exatos e completos (...) [33]

§4. (...) aceitando a divisão dos cantos adotados por alguns filósofos, (...) diremos que o uso da música não se limita a um só gênero de utilidade, e que, antes, ela deve ter vários. (...) ela pode servir à instrução, à purificação, [34] (...); ao prazer, (...) distração e repouso após uma atenção prolongada. [35] Disso resulta claramente que se deve fazer uso de todas as espécies de harmonias, mas não de um só modo em todos os casos. [36] (...) é preciso fazer servir os cantos morais à instrução (...) (pág 280) os que são próprios a despertar o entusiasmo (...)

§5. Esta maneira de impressionar-se, tão viva e profunda em certas pessoas, existe no fundo de todos os homens, só difere pelo mais ou pelo menos. Por exemplo, a piedade, o medo e também o entusiasmo (...) movimentos da alma (...) [. Existem] os que se tornam calmos e absortos sob a influência das melodias sagradas, (...) dir-se-ia que encontram o remédio que poderia purifica-la. [37]

§6. Os homens predispostos (...) devem forçosamente experimentar o mesmo efeito (...) todos devem experimentar uma espécie de purificação e alivio acompanhada de uma sensação de prazer. É assim que os cantos que purificam as paixões dão aos homens uma alegria ingênua e pura (...), é com tais harmonias e canos que os artistas que executam a música (...) devem agir sobre a alma dos ouvintes.  

§7. No entanto, havendo duas espécies de espectadores, uns homens livres e bem educados, outros grosseiros, artesãos, mercenários (...) [38], é preciso também conceder esses últimos diversão e representações próprias (...). Cada qual só encontra prazer naquilo que se adapta à sua natureza. (...) Mas na educação, como já foi dito, só se deve servir de cantos morais e harmonias convenientes.

§8. (...) a harmonia dórica, (...) a ela é preciso acrescentar (...) outra (...) que tenha aprovação dos filósofos que trataram deste assunto e quer meditaram sobre a parte da educação que se refere á música. É erradamente que Sócrates (...) só permite a união da harmonia frígia à dórica, [39] (pág 281) após proibir o uso da flauta; porque a harmonia frígia produz o mesmo efeito, entre as harmonias que a flauta entre os instrumentos; ambas despertam paixões e (...) entusiasmos.

§9. (...) todos os cantos consagrados a Baco e todos os movimentos desta espécie são mais acompanhados de flauta que qualquer outro instrumento; mas é nos cantos adaptados à harmonia frígia que eles tomam o característico que lhes convém especialmente; (...) Filoxênio (...) tendo-o começado [a compor uma música] no tom dórico, (...) viu-se forçado pela própria natureza da sua composição, a recair na harmonia frígia, que se adapta a esse gênero de poesia.

§10. Quanto à harmonia dórica, concorda-se (...) em reconhecer-lhe um caráter de gravidade sustenida e de energia varonil; (...) como é, em nossa opinião,  esse meio termo que se deve procurar segurar, (...) exatamente a relação em que se encontra a harmonia dórica com outras harmonias, segue-se evidentemente que os cantos dóricos são os que se deve ensinar aos jovens. (...) há dois dois objetivos que se deve ter em vista (...) porque, com efeito, deve-se procurar de preferência aquilo que é possível e convenientemente para cada indivíduo.[40]

§11. (...) muitos daqueles que se ocupam da música censuram a Sócrates o fato deste desaprova, na educação o emprego dos cantos desta espécie sob o pretexto de (pág 282) que eles têm o característico da embriaguez. (...) esses cantos são antes a expressão da fraqueza da idade. Resulta disso que é bom (...) estudar essas harmonias e cantos. (...) [e] acrescentar-lhe qualquer outro tom semelhante que conviesse à infância (...) podendo (...) instruí-la e inspirar-lhe o sentimento de decência; o tom lídio tem esse duplo mérito, [41] (...) há três coisas a observar em relação à educação: o meio termo, a possibilidade e a conveniência. (pág 283)



Nota complementar:

1) A edição da Martim Claret, e as três digitais ofertadas pelo maestro e pelos meus professores da graduação para a minha pesquisa e a que busquei de forma autônoma tiveram o mesmo problema e, portanto, não foram utilizadas neste trabalho, foi utilizada uma quinta.

 

Procurei auxílio do professor da minha graduação em filosofia que, além de me enviar um link com o livro em formato digital me forneceu a seguinte resposta:

“Olá Maurício está parte que  Aristóteles fala sobre Educação:
O Papel da Música.

“Há mais ou menos quatro coisas que de ordinário se ensinam às crianças: 1°- as letras; 2°- a ginástica; 3°- a música; alguns acrescentam em 4° a pintura; a escrita e a pintura para as diversas circunstâncias da vida; a ginástica por servir para educar a coragem. Quanto à música, sua utilidade não é igualmente reconhecida. Muitos hoje a aprendem apenas por prazer. Mas os antigos fizeram dela, desde os primeiros tempos, uma parte da educação, pois a natureza, como já dissemos várias vezes, não procura apenas dar exatidão às ações, mas também dignidade ao repouso. A música é o princípio de todos os encantos da vida. [...].””

Este trecho acima, pela analise do conteúdo, da mensagem, se encontra no capítulo 2, §3.

 

Nas notas de rodapé podem ser encontradas complementos oriundos do próprio texto e também comentários pessoais.

 

 

 Referências

ARISTÓTELES. A Política. Bauru, SP: EDIPRO, 2009



[1] Preocupação com o educar na virtude.

[2] Educação estatal para o bem do Estado e não para o indivíduo. A educação individualizada não é bem vista.

[3] O não consenso entre os educadores é algo bastante antigo em função das diversas variáveis que cada modelo educacional busca em função dos objetivos e qual seria o melhor para a sociedade. Causaria estranhamento à mim se professores sérios chegassem em um consenso em nosso tempo, levando em conta que a nossa sociedade é muito mais complexa e geograficamente maior que os Estados gregos da Antiguidade.

[4] Não existe consenso quanto ao melhor caminho educacional neste momento histórico da Grécia Antiga.

[5] Preocupação com a sobrevivência do corpo

[6] Pois impossibilita para a virtude e inteligência, como pode ser visto no texto consultado na página 268.

[7] Preocupação com a sobrevivência da alma e a dignidade.

[8] Os perigos da obsessão, talvez.

[9] O ser útil à si mesmo e amigos.

[10] E como tem pessoas que prostituem sua arte e ciência por causa de um prato de lentilhas.

[11] Este trecho ou muito similar está também em “Nota complementar” em função da ajuda recebida neste fragmento, ajuda esta que merece ser mencionada.  

[12] Hedonismo com equilíbrio e não de forma desenfreada como se tornou hoje e já demonstrou o Marquês de Sade na literatura.

[13] Todo vício escraviza retirando assim a liberdade, portanto, é preciso cuidado com o prazer para não nos tornarmos escravos/viciados. Quantos escravos, viciados em sexo existem na sociedade?

[14] Não podemos nos esquecer jamais da importância do ócio criativo.

[15] Sobre o esporte existia uma divisão em duas partes. A ginástica olhava para a saúde de forma global e científica sendo mais teórica. A pedotríbica focava exclusivamente os exercícios, sendo mais prática. Conforme página 271. 

[16] Ferocidade e coragem, para Aristóteles são coisas diferentes.

[17] Encarariam sem medo.

[18] Incrível como os antigos já sabiam tantas coisas.

[19] É possível julgar bem algo que não se conhece?

[20] Também conhecida como inspiração divina ou musa inspiradora. A titulo de curiosidade, Musa era uma divindade. Existe uma para cada arte, e arte na Grécia Antiga incluía a medicina, a navegação, a poesia, a música e etc.

[21] Moral está relacionado ao comportamento em sociedade.

[22] Canto coral, solfejo e etc.

[23] Evitando assim problemas e aborrecimentos maiores para os pais.

[24] Ou a virtude necessária aos homens da política.

[25] A boca está ocupada no sopro.

[26] O virtuosismo musical já existia na Antigüidade, não foi criação do romantismo do século XIX.

[27] O que me leva a cogitar que, segundo Aristóteles, Platão não estava completamente errado em suas colocações sobre a arte. Quem sabe, não mesmo?

[28] O trabalho não era bem visto na Grécia Antiga. Me parece que isto não mudou nos dias de hoje.

[29] Atena preside as ciências e as artes, conforme página 279 do livro base.

[30] Aristóteles nos faz entender que o virtuosismo musical necessário aos concursos solenes, competições, festivais, shows de calouros e etc, nos retira um tempo precioso para o desenvolvimento das virtudes pessoais.

[31] Ao abandonar as virtudes, as questões éticas e morais, uma sociedade não pode produzir bom fruto. Pessoalmente entendo que, diversos dos problemas sociais seriam resolvidos ao retornar a olhar as questões éticas e morais. 

[32] Isto continua igual até hoje.

[33] Indicação e fomento a pesquisa.

[34] Consultar “Poética” do mesmo autor para maiores detalhes acerca de sua visão sobre o tema.

[35] Lembrando o que o Maestro Dante falou na primeira aula sobre o usar a leitura de várias línguas antes de dormir para induzir o sono, o descanso.

[36] Fazendo me lembrar do professor Antônio Gastão, compositor, professor da licenciatura em música da UCP em Petrópolis – RJ e de nossas conversas sobre o trabalho do compositor musical nos dias de hoje.

[37] O que nos faz lembrar da obra do Dr Minh Dung Nghiem, “Música, inteligência e personalidade, da Vide Editorial.

[38] Curiosamente surge uma sonoridade poética apesar de não ter rimas como objetivo e nem a busca pelos finais similares das palavras utilizada.

[39] Ver a “República” de Platão.

[40] O tônus muscular da juventude facilita o cantar notas mais agudas

[41] Sendo, talvez o preferível para se iniciar este tipo de estudo, justamente em função do duplo mérito.

Estudos 1

 Deste logos sendo sempre os homens se tornam descompassados quer antes de ouvir quer tão logo tenham ouvido; pois, tornando-se todas (as co...