sábado, 21 de maio de 2022

A DIALÉTICA SIMBÓLICA - FICHAMENTO DO CAPITULO 2


 


SUMÁRIO

 

 

Fichamento do capitulo 2 de “A Dialética Simbólica”, referente as páginas 37 a 42 do livro base..........................................................................................................................03

Nota complementar..........................................................................................................06

Referências......................................................................................................................07

 

 

 

 

Emoção e reflexão 

E

motion recollected in tranquillity[1] (...) da arte em geral (...) é enunciado de um requisito básico para seu exercício. (...) [,] de psicologia da arte.

Mas a palavra “arte”, no caso, deve ser entendida em sentido mais amplo (...)

Deve abarcar, de certo modo, o orbe inteiro das criações intelectuais (...) [pois] estas nem podem emergir nada sem que alguma experiência[2] espiritualmente emocional dê impulso inicial à criatividade (...), nem pode encontrar as condições de sua plena manifestação formal sem o recuo posterior que rememore essa experiência e a elabore na tranquilidade da reflexão.

 

“Reflexão”, aí, (...) designa o simples retorno interior, consciente e deliberado à experiência, seja para reproduzi-la (...), seja para completa-la ou altera-la. O que distingue o momento reflexivo da experiência interior direta é o propósito consciente de fixa-la, seja [da forma que for] (...), esse intuito vai precisamente em sentido contrário ao fluxo vivo da experiência[3] ; é um retorno espiritual e intencional àquilo que, real e materialmente, não retorna jamais. (pág 37)

Por essa razão, sempre me pareceu tolice e mera pose a pretensão dos artistas que afirmam captar a experiência viva e se julgam por isto mais sábios, quase como profetas ou anjos, em comparação com os filósofos ou cientistas (...). Pois a “experiência viva” se não vem em forma de (...) [criação intelectual humana (pág 37)], mas nela convertida (...) [pelo] artifício do artista, que ao fazê-lo se distância tanto dela, indo em direção ao espirito, quanto o faz o filósofo ou cientista, que dele se distancia apenas (...) [pela] formalização que empregam.

 

(...) não me referi à experiência direta e bruta, e sim a uma experiência já espiritualizada e valorizada. (...) na alma excelsa a experiência, por menor que seja, indica sempre algo que vai muito além da experiência, o particular é signo do universal e a experiência, (...) já traz em plano de fundo o elemento de recuo contemplativo que a enaltece (...) com uma significação que transcende (...)

(...) o homem profundo e sensível (...) obtém colheitas mais ricas em repercussões interiores (...) simplesmente porque já é de antemão quem é (...) (pág 38) [4]

(...) o verdadeiro poeta e o verdadeiro filósofo (...) percebem com reais e imediatas certas relações mais sutis (...).

Mas mesmo esta experiência espiritualmente diferenciada (...). Tem de ser transposta mediante um trabalho posterior de rememoração, seleção, ordenação e etc. (...) daí o termo “obra de arte”, que quer dizer: fruto do trabalho humano, jamais um dom gratuito da natureza.      

Não existe, ademais, a menor diferença específica entre a experiência espiritual (...) [de quem produz a “criação intelectual humana” (pág 37)] quando o é verdadeiramente. (...) A diferença está nos vários códigos [5] que servem, depois, como que de guias (...) para a elaboração refletida.[6] (...). (pág 39)

Dessas exigências, (...)[7] Pouco importa: o fato é que na hora de transformar sua experiência pessoal em forma comunicável, o sujeito criador tem de levá-las em conta.

(...) [A] experiência interior a que me refiro é aquela mencionada por Aristóteles. “Aqueles que passam por uma iniciação (...) estão ali para (...) sofrer uma experiência interior e ser postos em uma certa disposição...”. [8]

É evidente que esta experiência interior (...) está precisamente, a meio caminho da experiência crua e da forma conscientemente criada. É a precondição indispensável de toda “criação intelectual humana” (pág 37) (...), sendo anterior e indiferente a estas diferenciações de nomes de disciplinas.

É por isso mesmo que, no julgamento das criações da inteligência, se pode levar em conta (...) a elaboração (...) [,] a amplitude, a coerência e a qualidade da experiência interior que lhe serve de base. Esta experiência é o que constitui o “mundo” [de todo aquele que produz a “criação intelectual humana” (pág 37)] (...), mundo que, (...) independentemente do esforço reflexivo posterior (...), pode ser mais rico (...), mais integro (...), mais profundo e abrangente, ou menos. Se existe um sentido na (pág 40) distinção entre “conteúdo” e “forma”, é quando toma como sinônimo de “conteúdo” a forma da experiência espiritual como tal, anterior (...) [a] forma concreta da “obra” (...) o julgamento qualitativo da experiência espiritual transcende e abole as diferenças entre as disciplinas formais (...)

Não é necessário, aqui, tomar a palavra “iniciação” no sentido estrito e convencional de pertinência a uma confraria de mistérios e de submissão a ritos tradicionais oficiados por hierofantes de carne e osso. O espirito sopra onde quer, e, (...) quanto mais corrompidas e esgotadas estejam as igrejas e as ordens secretas, mais se multiplicarão os casos de comunicação direta entre o Sentido e a alma. [9]

Que uma experiência espiritual possa ser bastante semelhante a uma outra; (...) os universos interiores de dois homens de ofícios intelectuais diversos podem ser bem mais aparentados entre si do que os de dois homens do mesmo ofício. (...) [se torna claro quando se observa]

As afinidades de “conteúdo”, no sentido da comunidade de experiência espiritual, [que] transcende não somente as diferenças de (pág 41) disciplina a disciplina, de gênero a gênero, porém, até mesmo a diversidade de ideias e convicções pessoais (...) [, pois] não existe vinculo de implicação reciproca entre a natureza da experiência espiritual e a modalidade ou gênero, de sua expressão concreta nas formas das disciplinas culturais reconhecidas.           

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nota complementar:

1) Este texto é uma aula de 2 de julho de 1996 do seminário de filosofia, segundo nota de rodapé na página 37 do livro base.

2) Nas notas de rodapé podem ser encontradas complementos oriundos do próprio texto e também comentários pessoais.

3) A revisão final teve como trilha sonora o link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=NyAIxYWIvx4 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências

CARVALHO, Olavo de. A Dialética Simbólica. 2. Ed. Campinas, SP: Vide Editorial, 2015



[1] Emocional recordado em tranqüilidade. A tradução do Maestro Dante na aula foi “Emoção recolhida na tranqüilidade”.  

[2] Segundo o Maestro Dante Mantovani na aula 2 do curso de filosofia da arte e de estética musical do Seminário de Música, no ano de 2022, Um dos núcleos principais da filosofia do professor Olavo de Carvalho é o primado da experiência como fonte primordial do conhecimento.

[3] Experiência da forma como vista no texto base.

[4] Na página 38 existe um trecho, uma citação em francês que é a seguinte:

“Mon cœur profond ressemble à ces voûte d’église, où le moindre bruit s’enfle em une immense voix”.  Eu, com francês nível -10 com tradutor de internet  traduzi da seguinte forma:

Meu profundo coração se assemelha a essas abóbodas de igrejas, onde o menor ruído se transforma em uma imensa voz.

Na aula o maestro Dante traduziu da seguinte forma:

Meu coração ressoa profundamente com vossas aspirações e o meu reflexo bruto se infla na sua imensa voz.

[5] Os códigos seriam como ferramentas diferentes em busca de alcançar o mesmo objetivo.

[6] Tendo sido refletida, está na memória nos conduzindo, portanto, de volta ao início do texto base. 

[7] Do ofício ou senso comum, que são apenas ferramentas.

[8] Frag. 153 (Synesius, Dio 48 A). Conforme nos mostra o texto base na página 40.

[9] Poderíamos, quem sabe, colocar aqui o termo “instituições” ampliando  a abrangência da frase.

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