SUMÁRIO
Fichamento do capitulo 2 de “A Dialética Simbólica”, referente as
páginas 37 a 42 do livro base..........................................................................................................................03
Nota complementar..........................................................................................................06
Referências......................................................................................................................07
Emoção
e reflexão
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E |
motion recollected in
tranquillity[1]
(...) da arte em geral (...) é enunciado de um requisito básico para seu
exercício. (...) [,] de psicologia da arte.
Mas a palavra “arte”, no caso, deve ser
entendida em sentido mais amplo (...)
Deve abarcar, de certo modo, o orbe
inteiro das criações intelectuais (...) [pois] estas nem podem emergir nada sem
que alguma experiência[2]
espiritualmente emocional dê impulso inicial à criatividade (...), nem pode
encontrar as condições de sua plena manifestação formal sem o recuo posterior
que rememore essa experiência e a elabore na tranquilidade da reflexão.
“Reflexão”, aí, (...) designa o simples
retorno interior, consciente e deliberado à experiência, seja para reproduzi-la
(...), seja para completa-la ou altera-la. O que distingue o momento reflexivo
da experiência interior direta é o propósito consciente de fixa-la, seja [da
forma que for] (...), esse intuito vai precisamente em sentido contrário ao fluxo
vivo da experiência[3]
; é um retorno espiritual e intencional àquilo que, real e materialmente, não
retorna jamais. (pág 37)
Por essa razão, sempre me pareceu tolice
e mera pose a pretensão dos artistas que afirmam captar a experiência viva e se
julgam por isto mais sábios, quase como profetas ou anjos, em comparação com os
filósofos ou cientistas (...). Pois a “experiência viva” se não vem em forma de
(...) [criação intelectual humana (pág 37)], mas nela convertida (...) [pelo]
artifício do artista, que ao fazê-lo se distância tanto dela, indo em direção
ao espirito, quanto o faz o filósofo ou cientista, que dele se distancia apenas
(...) [pela] formalização que empregam.
(...) não me referi à experiência direta
e bruta, e sim a uma experiência já espiritualizada e valorizada. (...) na alma
excelsa a experiência, por menor que seja, indica sempre algo que vai muito
além da experiência, o particular é signo do universal e a experiência, (...)
já traz em plano de fundo o elemento de recuo contemplativo que a enaltece (...) com uma significação que
transcende (...)
(...) o homem profundo e sensível (...)
obtém colheitas mais ricas em repercussões interiores (...) simplesmente porque
já é de antemão quem é (...) (pág 38) [4]
(...) o verdadeiro poeta e o verdadeiro
filósofo (...) percebem com reais e imediatas certas relações mais sutis (...).
Mas mesmo esta experiência
espiritualmente diferenciada (...). Tem de ser transposta mediante um trabalho posterior
de rememoração, seleção, ordenação e etc. (...) daí o termo “obra de arte”, que
quer dizer: fruto do trabalho humano, jamais um dom gratuito da natureza.
Não existe, ademais, a menor diferença
específica entre a experiência espiritual (...) [de quem produz a “criação
intelectual humana” (pág 37)] quando o é verdadeiramente. (...) A diferença está
nos vários códigos [5]
que servem, depois, como que de guias (...) para a elaboração refletida.[6] (...). (pág 39)
Dessas exigências, (...)[7] Pouco
importa: o fato é que na hora de transformar sua experiência pessoal em forma
comunicável, o sujeito criador tem de levá-las em conta.
(...) [A] experiência interior a que me
refiro é aquela mencionada por Aristóteles. “Aqueles que passam por uma
iniciação (...) estão ali para (...) sofrer uma experiência interior e ser
postos em uma certa disposição...”. [8]
É evidente que esta experiência interior
(...) está precisamente, a meio caminho da experiência crua e da forma
conscientemente criada. É a precondição indispensável de toda “criação
intelectual humana” (pág 37) (...), sendo anterior e indiferente a estas
diferenciações de nomes de disciplinas.
É
por isso mesmo que, no julgamento das criações da inteligência, se pode levar
em conta (...) a elaboração (...) [,] a amplitude, a coerência e a qualidade da
experiência interior que lhe serve de base. Esta experiência é o que constitui
o “mundo” [de todo aquele que produz a “criação intelectual humana” (pág 37)]
(...), mundo que, (...) independentemente do esforço reflexivo posterior (...),
pode ser mais rico (...), mais integro (...), mais profundo e abrangente, ou
menos. Se existe um sentido na (pág 40) distinção entre “conteúdo” e “forma”, é
quando toma como sinônimo de “conteúdo” a forma da experiência espiritual como
tal, anterior (...) [a] forma concreta da “obra” (...) o julgamento qualitativo
da experiência espiritual transcende e abole as diferenças entre as disciplinas
formais (...)
Não é necessário, aqui, tomar a palavra
“iniciação” no sentido estrito e convencional de pertinência a uma confraria de
mistérios e de submissão a ritos tradicionais oficiados por hierofantes de
carne e osso. O espirito sopra onde quer, e, (...) quanto mais corrompidas e
esgotadas estejam as igrejas e as ordens secretas, mais se multiplicarão os
casos de comunicação direta entre o Sentido e a alma. [9]
Que uma experiência espiritual possa ser
bastante semelhante a uma outra; (...) os universos interiores de dois homens
de ofícios intelectuais diversos podem ser bem mais aparentados entre si do que
os de dois homens do mesmo ofício. (...) [se torna claro quando se observa]
As afinidades de “conteúdo”, no sentido
da comunidade de experiência espiritual, [que] transcende não somente as
diferenças de (pág 41) disciplina a disciplina, de gênero a gênero, porém, até
mesmo a diversidade de ideias e convicções pessoais (...) [, pois] não existe
vinculo de implicação reciproca entre a natureza da experiência espiritual e a
modalidade ou gênero, de sua expressão concreta nas formas das disciplinas
culturais reconhecidas.
Nota
complementar:
1) Este texto é uma aula de 2 de julho
de 1996 do seminário de filosofia, segundo nota de rodapé na página 37 do livro
base.
2) Nas
notas de rodapé podem ser encontradas complementos oriundos do próprio texto e também
comentários pessoais.
3) A
revisão final teve como trilha sonora o link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=NyAIxYWIvx4
Referências
CARVALHO, Olavo de. A Dialética Simbólica. 2. Ed. Campinas,
SP: Vide Editorial, 2015
[1] Emocional
recordado em tranqüilidade. A tradução do Maestro Dante na aula foi “Emoção
recolhida na tranqüilidade”.
[2]
Segundo o Maestro Dante Mantovani na aula 2 do curso de filosofia da arte e de
estética musical do Seminário de Música, no ano de 2022, Um dos núcleos
principais da filosofia do professor Olavo de Carvalho é o primado da
experiência como fonte primordial do conhecimento.
[3]
Experiência da forma como vista no texto base.
[4] Na
página 38 existe um trecho, uma citação em francês que é a seguinte:
“Mon cœur profond ressemble à ces voûte d’église, où le moindre bruit s’enfle em
une immense voix”. Eu, com francês nível -10 com tradutor
de internet traduzi da seguinte forma:
Meu profundo coração se assemelha a essas abóbodas de
igrejas, onde o menor ruído se transforma em uma imensa voz.
Na aula o maestro Dante traduziu da seguinte forma:
Meu coração ressoa profundamente com vossas aspirações
e o meu reflexo bruto se infla na sua imensa voz.
[5] Os
códigos seriam como ferramentas diferentes em busca de alcançar o mesmo
objetivo.
[6]
Tendo sido refletida, está na memória nos conduzindo, portanto, de volta ao
início do texto base.
[7] Do
ofício ou senso comum, que são apenas ferramentas.
[8]
Frag. 153 (Synesius, Dio 48 A). Conforme nos mostra o texto base na
página 40.
[9]
Poderíamos, quem sabe, colocar aqui o termo “instituições” ampliando a abrangência da frase.

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